Araceae

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A família Araceae é uma das famílias de plantas que dominam a paisagem das florestas tropicais húmidas. É composta por 144 géneros e mais de 3500 espécies. Esta família é também uma das mais antigas, havendo descobertas de pólen de Aráceas fossilizado com 110-120 milhões de anos.

As espécies de Aráceas são muito diversas tanto em características morfológicas como em habitat. Há espécies de pequenas dimensões, como as da subfamília Lemnoideae, e existem outras com folhas que podem atingir 4 metros de comprimento, como a Alocasia robusta. A sua distribuição geográfica é abrangente, ocorrendo em todos os continentes, com excepção da Antártida e da zona temperada do hemisfério sul, sendo a América tropical o seu centro de diversidade – cerca de dois terços das espécies habitam a América do Sul. Além disso, assumem uma extensa variedade de formas de vida:

  • Geófitas: plantas com caules tuberosos ou rizomatosos subterrâneos que lhes permitem armazenar nutrientes, entrando periodicamente em dormência, com perda das suas folhas, quando as condições ambientais são desfavoráveis; espécies de Amorphophallus e Thyphonium são exemplos de Aráceas geófitas

  • Helófitas: crescem em locais alagadiços ou ao longo de margens de rios, como por exemplo espécies pertencentes aos géneros Caladium e Dieffenbachia, nossas conhecidas enquanto plantas ornamentais

  • Reófitas: plantas resistentes a cheias, habitando florestas tropicais, em regos sujeitos a fortes correntes de água, como as da tribo Schismatoglottidaeae

  • Hidrófitas: plantas submersas, como algumas espécies dos géneros Jasarum e Cryptochoryne

  • Flutuantes: como as plantas pertencentes à subfamília Lemnoideae

  • Epífitas: plantas que se desenvolvem em troncos de árvores ou arbustos, não contactando as suas raízes com o solo; espécies pertencentes ao géneros Anthurium, Philodendron e Scindapsus são disso exemplo

  • Hemiepífitas: plantas que iniciam o seu crescimento como epífitas e posteriormente produzem raízes que penetram no solo (hemiepífitas primárias) ou que germinam no solo, desenvolvendo-se posteriormente nos troncos das árvores (hemiepífitas secundárias); exemplos de plantas hemiepífitas são as populares Monstera

  • Litófitas: muitas plantas com as formas de vida que acabámos de descrever, nomeadamente hemiepífitas e reófitas, crescem sobre o húmus depositado nas rochas, as quais fornecem um suporte semelhante aos troncos de árvores

As plantas pertencentes à família das Aráceas podem apresentar várias formas de vida, crescendo nos troncos de árvores ou em rochas, por exemplo, usando as suas raízes aéreas para se suportarem nessas superfícies.


Algumas espécies de Aráceas sofrem mudanças graduais na forma e dimensões do caule e folhas ao longo do seu desenvolvimento, característica que se designa por heteroblastia e que auxilia a planta a adaptar-se às variações ambientais, particularmente a exposição solar. Exemplo disto é a Monstera deliciosa que na sua fase juvenil possui folhas pequenas e sem fenestrações, sendo que à medida que se desenvolve no tronco da árvore hospedeira, adquirindo maior exposição solar, produz folhas maiores e com fenestrações.

A popular Monstera deliciosa produz folhas cada vez mais fenestradas à medida que se desenvolve.


São vários os géneros de Aráceas com importância ornamental. A sua diversidade de formas, tamanhos e cor tem conquistado os amantes de plantas um pouco por todo o mundo. Também na Variegato não somos indiferentes ao charme da família Araceae. Gostamos particularmente dos géneros Monstera, Philodendron, Scindapsus e Syngonium... mas atenção aos gatos! São plantas tóxicas quando ingeridas, há que ter alguns cuidados para que a convivência entre ambos seja harmoniosa. 



Bibliografia:

Croat, T. Araceae, a Family with Great Potential. Annals of The Missouri Botanical Garden 104 (1), 3-9. 2019

Pontes, T. Diversidade de Araceae em fragmentos de floresta atlântica de terras baixas ao norte do Estado de Pernambuco – Brasil. Universidade Federal de Pernambuco. Recife. 2010

Boyce, P. e Yeng, W. The Araceae of Malesia I: Introduction. Malayan Nature Journal 64(1), 33-67. 2012 

Alonso, J. Fenestraciones foliares. 6, Fevereiro, 2013. Disponível em: https://jralonso.es/2013/02/06/fenestraciones-foliares/. Acesso em 9, Julho, 2021